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Uns homens revolveram aproveitar o fim de semana e foram à caça. Chegou a noite e acamparam.Dois deles, um instruído e outro analfabeto, chamados Vindengandenga e Ngeve. Por não terem sono, resolveram ir passear até ao rio, que passava perto. Para passar o tempo puseram-se a cantar como o galo, a miar como o gato, a ladrar como o cão e a rugir como o leão.
Todos os outros acordaram mas, supersticiosos como eram, deixaram-se ficar calado e nem se mexeram. Pensaram que eram um espirito mau que andava por ali e isso seria assim porque algum dos elementos do grupo era criminoso...
De manhã discutem o caso e resolveram ir chamar o feiticeiro para descobrir qual deles seria o criminoso. O Vindengandenga não entrou na discussão e disse que ficaria à espera deles.
Assim que chegou, o feiticeiro exigiu dinheiro, fuba, duas galinhas que eles tinham para o almoço e a promessa de que dariam, depois, um boi. Depois, pegou no cesto que trouxera cheio de ossos, bonecos e outras bugigangas e começou numa grande lenga-lenga. De repente, o feiticeiro virou-se para dois dos presentes e disse:
─ Vocês são os criminosos!
Quando os outros se preparavam para lhes saltaram em cima, furiosos, Vindengandenga e Ngeve ordenaram-lhes que estivessem quietos e contaram-lhes o que sucedera. Para que acreditassem, puseram-se logo ali a imitar vozes de animais que eles tinha ouvido.
Tendo compreendido que o feiticeiro os intrujara, atiraram-se a ele e, se não fossem o Vindengandenga e Ngeve tê-lo-iam deixado muito mal tratado.
O Vindengandenga e Ngeve aproveitaram a ocasião para esclarecer. Os outros ficaram a saber que os feiticeiros são uns intrujões. E o feiticeiro devia ter ficado sem vontade de se meter noutra!
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in Velas de Cristo
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