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Conheço bem o negro João...correndo a cidade
vendendo o jornal
e gritando às esquinas — Diiiiaaá
Olhódiiááá... rio
correndo sempre
correndo a cidade
da Baixa à Maianga
da ilha à S. Paulo
a quem sabe ler
— Diiiiaaá
Ólhódiiááá... rio
Conheço bem o negro joão...
de caixa na mão
olhando para mim
a beber café
— Graxa minino?...
Bem limpo!
e fazendo chiar
o negro sapato
que eu dou a engraxar
Conheço bem o negro joão...
olhando para mim
a ler o jornal
e engraxando os sapatos
até aparecer a sua cara de negro
no cabedal reluzente dos sapatos
que dou pra ele engraxar
A correr descalço da Baixa à Maianga
da ilha à S. Paulo vendendo leitura
a quem compra jornal...
E parado na esquina a olhar as letras
impressas a negro do enorme jornal
que ele não sabe entender.
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João Abel
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