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— Com um grão de milho, compro um escravo — disse a tartaruga ao rei.
O rei riu-se. A tartaruga insistiu e o rei acabou por aceitar a aposta.
A tartaruga foi andando, aproximou-se dum campo e atirou o grão de milho às galinhas. Um galo correu para o milho e comeu. A tartaruga chamou o dono das galinhas e disse-lhe que o galo tinha comido uma pérola do rei. Aflito, o homem ofereceu o galo à tartaruga.
A tartaruga torceu o pescoço do galo e atirou-o para debaixo das patas dum boi que andava o pastar. A tartaruga exigiu que o dono do boi pagasse o galo. Aquele homem deu o boi à tartaruga.
Prosseguindo pelo caminho, a tartaruga encontrou uns homens que dormiam perto da estrada, à sombra de uma árvore. Um deles tinha uma faca no cinto.
A tartaruga, devagarinho, tirou a faca do homem e matou o boi. Em seguida, voltou a colocar a faca na bainha do homem, como se nada tivesse sucedido.
Ao ver o boi no chão, morto, a tartaruga foi queixar-se ao dono da roça, dizendo que um dos homens matara o boi do rei. O dono da roça, temendo vingança, entregou o homem à tartaruga.
Satisfeita, a tartaruga voltou ao rei e disse-lhe com ar de grande vitória: — Com um grão de milho, comprei um escravo.
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S. Tomé e Príncipe,
Conto Popular
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